A verdade sobre o Social Commerce e compras coletivas

Postado por Rodrigo em 29 - março - 2011

Tenho lido muita coisa sobre e-commerce e redes sociais nos últimos meses, e algumas delas um tanto absurdas. Me parece que há uma tentativa de apresentar a junção de ambos os conceitos  (chamado de Social Commerce) como a “nova tendência” do relacionamento web e o comércio virtual! Bem, eu preciso analisar com você alguns paradigmas, conceitos e fantasias sobre esse assunto. Minha preocupação maior é que profissionais de tecnologia, marketing e estudiosos das mídias sociais têm enxergado tudo isso apenas como o renascimento da “propaganda boca a boca”, quando na verdade entendo que precisamos caminhar alguns quilômetros mais adiante e visualizar quem sabe oportunidades de negócios.

Quem sair na frente, poderá lucrar no futuro com esse conceito

O primeiro mito que preciso derrubar é de que o Social Commerce pode ser realizado fora de redes sociais e o segundo mito é de que sites de compras coletivas (ou de clube de descontos) são a sua personificação! Não queira colocar os sites de compras coletivas ou sites de descontos como exemplos de Social Commerce. Veja, compras coletivas são uma tendência inegável e com certeza irão ajudar a ditar as regras de consumo para a próxima década, mas não podem ser considerados como ferramentas sociais, e sim comerciais coletivas!

Os sites de compras coletivas, que surgiram nos EUA no ano de 2008 e que tiveram no Peixe Urbano sua primeira iniciativa totalmente tupiniquim, são na verdade a redescoberta de que juntar uma quantidade considerável de pessoas que desejam um produto pode atrair empresas para oferecer melhores preços ou até mesmo em condições extremamente promocionais. O empresário moderno pode investir neste método persuasivo de marketing, onde o deslumbre pelo desconto faz com que o consumidor descubra novas marcas e produtos pelo simples fascínio de estar levando vantagem diante dos demais que estão pagando até 90% mais caro por um produto!

Se eu tivesse algo pra vender e necessitasse de uma ação poderosa de marketing, amanhã mesmo estaria anunciando minha oferta em um site desses! As compras coletivas evoluíram muito! Lembra-se inicialmente nesses sites, quando existia a regra única de que uma oferta só seria válida quando atingisse um número determinado de compradores? Isso hoje não acontece mais na maior parte dos casos! Agora a oferta vale a partir do momento de sua publicação e “o céu é o limite” para algumas ofertas (apesar de alguns sites continuarem a trabalhar com “limites de compra” quando eles na verdade não existem, sendo apenas usados como um estímulo para o apetite voraz do consumidor atual que gosta de se sentir “exclusivo”).

Agora, mesmo que compras coletivas seja uma febre, a Wikipédia não nos deixa afirmar que isso é Social Commerce (leia a definição em inglês para Social Commerce), pois em primeiro lugar não há nada social nesse método de compra, para falar bem a verdade, o comprador até torce para ter poucas pessoas comprando o cupom, para que ele seja mais bem atendido ou beneficiado (já imaginou um SPA com super lotação de pessoas que compraram um “day spa” com 80% de desconto?). Entenda, para ser “social”, estes sites deveriam usar as mídias sociais para divulgar e vender seus produtos, e isso AINDA não aconteceu plenamente, e é nesse fato que talvez estejam as oportunidades para ideias inovadoras! Existem exemplos na web de tentativas de fazer comércio eletrônico através de mídias sociais:

  • Recomendação e Avaliação – O Submarino, Americanas, Amazon, Saraiva, FNAC, Mercado Livre e Amazon são um exemplo, quando você compra algo, o site recomenda produtos relacionados que outros consumidores compraram, e mostra as avaliações e notas do produto cadastradas pelos usuários.
  • Colaboração e participação dentro do site de e-commerce que envolva o consumidor a colaborar no estilo open innovation,  um exemplo é a Camisetaria.
  • SMM Social Media Marketing são ações para gerar tráfego via mídias sociais, essas ações envolvem atuação nas redes sociais que o seu público-alvo frequenta (ex: Dell e Bradesco no Twitter)
  • SEM Search Engine Marketing são ações que visam gerar tráfego para o site de e-commerce via buscadores (Google, Yahoo, Bing, etc.), atraindo consumidores para compra, ou sistema participativo fora de um site de e-commerce, que envolva o consumidor a colaborar (ex: Fiat Mio, MyStarbucksIdea, etc.).

Iniciativas fantásticas! Mas isso ainda não é Social Commerce! Então nesse momento você me pergunta: Não tem nada parecido com Social Commerce ainda? Eu conheci uma ferramenta interessante chamada Bloompa, criada pelos empresários Thiago Nascimento e Ricardo Dantas. A empresa nasceu após estudo que Thiago e Ricardo realizaram na PUC do Paraná durante a realização de um trabalho de conclusão do MBA em Empreendedorismo Tecnológico. O espaço virtual reúne usuários que desejam falar e saber sobre qualidade, preço, economia e usabilidade de produtos e serviços comercializados na web. O usuário cria uma lista de desejos, que compartilha com seus amigos, onde pode avaliar um produto e até criar campanhas indicando onde encontrar algo mais barato, por exemplo. Outra possibilidade é angariar Bloomps para um determinado produto e brigar por preço com o comerciante! Começou a ficar interessante? Apesar da ferramenta ainda estar em fase de beta testes, entendo que o Bloompa é a tentativa de atingir este verdadeiro filão formado por:

  • 8 em cada 10 brasileiros participam de algum tipo de rede social online
  • O comércio eletrônico no Brasil faturou R$ 6,7 milhões no 1º semestre de 2010 (WebShopers)
  • 74% dos compradores online observam as recomendações de produtos (eMarketer)
  • 86,3% dos compradores online considera lojas eletrônicas confiáveis (e-bit)

As plataformas sociais estão se mobilizando, ferramentas como Foursquare começam a se preparar para essa tendência ao lançar um recurso onde os consumidores são alertados quando existe alguma oferta próxima de sua localização. Existe também a Uniqlooks, que é uma plataforma para postar fotos de roupas ligadas ao Facebook e lojas de e-commerce, e para quem é fã da série Dexter, Ao entrar na Fan Page do seriado no Facebook, o visitante se deparará com uma aba chamada Shop. Ali se encontra uma vitrine de alguns produtos que são vendidos na loja. A partir deste aplicativo para o Facebook, os visitantes podem efetuar suas compras ou compartilhar os produtos que mais gostaram pelo botão “curtir”.

O previsível esta acontecendo, pois o Facebook já estuda lançar sua plataforma de compras coletivas integrada à sua rede social (leia a matéria no site da Bloomberg), unindo exatamente estes conceitos que ainda estamos buscando entender, e trabalhando com o chamado Behavioral Commerce, que utiliza o comportamento humano como arma para vender. Conceito que existe desde que o ser humano começou a analisar o consumidor para adequar a sua venda. O Behavioral Commerce é de forma simples, a analise e identificação do comportamento humano, e usar o resultado disso para gerar uma venda (leia um pouco sobre isso no meu post sobre Marketing e Internet).

Social Commerce não acontece apenas quando um internauta faz um comentário sobre o produto, deixa uma avaliação sobre o processo de compra, ou ajuda outro usuário que quer comprar ou acabou de comprar um produto. O conceito correto (se é que ele exista de fato) é ser um ambiente democrático e colaborativo de comércio, onde a plataforma não esteja a serviço de uma marca, mas que localize para nós nossos sonhos de consumo de acordo com o nosso perfil, seguidores, comunidades e conteúdos postados, e permita que juntamente com os nossos amigos ajudemos a customizar ou criar nossos próprios produtos, brigar por melhores preços diretamente com o fabricante, criar nossas ofertas, intermediar vendas, colocar vídeos e fotos de como estamos usando os recursos da nova câmera digital que acabamos de comprar, ou leiloar nossas bugigangas (imagine quem comprou o iPhone 4 vendendo o produto para comprar a versão 5! Vendendo para apaixonados pela Apple que ainda sonham com o seu primeiro iPhone, mesmo que usado…), e promover campanhas de desconto junto à grandes marcas reunindo seus amigos da rede, e compartilhar experiências de consumo com pessoas do mundo todo. E porque não também vender produtos que nós mesmos fabricamos nesse grande mercado virtual, ou rede social? Seria uma mistura maluca de Facebook, Orkut, Youtube, FlickR, Foursquare e Twitter com Mercado Livre, eBay, Peixe Urbano e algumas pitadas de Bondfaro e Buscapé! Você esta achando loucura? Não amigo!!! Isso é o futuro… Acredite!

7 respostas no momento.

  1. Mayk Brito disse:

    Muito bom Rodrigão! E percebo essa tendência que você colocou nas últimas linhas. Essa é, realmente o que parece ser, a social (face, orkut, twitter …) commerce (ebay, ml, peixe…).

    E é certo que o nível de venda e até troca de produtos atingirá patamares incríveis e, por que não, imensuráveis nos próximos anos!!

    Na verdade nada há de novo debaixo do sol, pois desde muito tempo é assim! (lembremos da história do comércio, as trocas naturais, a geração de riquezas e saberemos que é assim!). Só que agora o cotidiano é world-wide web.

  2. Ana disse:

    Puxa, finalmente um post nesse blog hein Rodrigo? Gostei demais desse assunto, e queria saber se voce tem material sobre o Behavioral Commerce porque naquele seu outro post que voce linkou não fala disso diretamente

  3. Marco Menezes disse:

    ¡¡Muito bem colocado Rodrigo!!
    E, acrescentando, o que eu mais achei legal no comercio coletivo virtual é que o “Jeitinho Brasileiro” sempre aparece!
    Quer seja com lob em um desconto de um preço que não é real mas chama a atenção pelo percentual de desconto que se consegue;
    e também que estes sites são regionalizados, portanto permitem que pequenos vendedores/fabricantes possam se aproveitar das sazonalidades do comércio e competir durante um tempo com marcas mais famosas, coisas que com suas estruturas e estratégias de maketing nunca coseguiriam!
    Um exemplo conjunto disso que eu vi foi: Uma empreza do ramo alimentício colocou o seu produto a venda em um desses sites, neste caso foram ovos de pascoa. O com o preço original anunciado não creio que venderiam mais doque três quatro dezenas do ovo.
    Mas com a junção de:
    -lob – jogar o preço lá em cima e oferecer um desconto “absurdo”;
    -a regionalidade – eles não vão ter que se preocupar com mais propagandas e pedidos de ultima hora, pois o site extipula uma data limite para a compra do produto, e cada cliente que comprou vai ter que ligar para confirmar o pedido e ir busca-lo dentro de 4 dias pré-determinados;
    - a sazonalidade – A empreza é do ramo alimenticio, porém não teem nenhuma ligação com doces ou chocolate, mas durante o periodo de pascoa farão isso;
    Desta forma conseguem, dentro de sua estrutura, garantir seu espaço de mercado concorrendo com emprezas já tradicionais.
    Enfim, mesmo com a minha projeção de vender entre 30 e 40 unidades na qual teriam mais prejuizos doque lucros, eles venderam quase 370 unidadesem apenas uma promoção no site.
    Isso nos mostra, como o Rodrigo mencionou, que esse tipo de comercio (social ou não) ainda vai nos dar muitas surpresas!!

  4. Breno L disse:

    Gostei do seu comentário Marco, realmente a gente percebe que esse tipo de comercio dá futuro, mas tambem observo que já tem muitos sites, como toda nova onda, muita gente querendo ganhar dinheiro com isso tambem

  5. Anderson Palma disse:

    o site http://www.descontonamao.com é um dos melhores o bom é que vc indica a promoção e a região que vc quer a promoção e eles buscam a parceria e em pouco tempo lá está ela… o melhor ainda eles tem como forma de pagamento o pagseguro da empresa UOL e o mercado pago, isso dá uma baita confiança pra gente… essa semana eu comprei um site de 800 por 99 reais… é absurdo essas ofertas…rssrsr o bom é que a gente aproveita….
    Fonte(s):
    http://www.descontonamao.com

  6. Evaldo disse:

    Parabéns pelo post!

  7. Wesley disse:

    Boa Noite, Rodrigo. Acabei de ler a respeito do seu artigo e o achei super interessante e que reflete muito sobre um sistema que acabei de lançar juntamente com um amigo o Compritada$ (http://www.compritadas.com.br) criamos um sistema totalmente voltado para o social commerce integrando o Twitter e o PagSeguro, onde qualquer usuário que tenha uma conta no Twitter pode Vender, Comprar, Trocar ou Leiloar qualquer tipo de produto ou serviço, e toda ação do usuário em relação ao produto do outro é enviado via DM, ações essas: Oferta de compra, troca, participação em leilão, postagens de comentários entre outras é um sistema que está totalmente voltado para o social commerce e ele é 100% gratuito e qualquer pagamento é feito diretamente na conta que o usuário possui no PagSeguro. Gostei muito do seu conhecimento sobre o assunto e gostaria que você acessasse o site Compritada$ e nos desse a sua opinião.
    Abraço.


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