Todo mundo esta acostumado com o estilo tupiniquim de fazer campanha política no Brasil: Comícios, carreatas, horário político na tv e no rádio, panfletos, camisetas e tudo mais que aos meus ouvidos me soa como algo ainda na versão 1.0, precisando urgentemente de um upgrade.
Bem, ainda não é uma versão 2.0 de campanha política, mas pelo menos agora em 2010 os candidatos têm um novo “palanque” para divulgar suas propostas: as mídias sociais. Só que ao contrário do “palanque” convencional, uns não ficam na parte de cima e outros na de baixo. Todos estão no mesmo nível, todos usam as mesmas ferramentas para ser ouvido e principalmente para falar, criticar e reclamar. Quando um político faz uma carreata é seguido apenas por aqueles que concordam com suas propostas, o horário político só assiste ou ouve quem ainda não definiu em quem votar ou quem realmente gosta do candidato e de horário político.
Mas nas mídias sociais, o político não é apenas seguido por seus simpatizantes, as pessoas estão ali a todo o momento monitorando os passos, tentando dialogar com os candidatos e caso não haja resposta imediata, não é uma vaia que o político vai receber, mas sim uma campanha contra ele, que pode ser acompanhado de um vídeo viral, mensagens e hastags contra o político.
Para que nada disso ocorra o candidato que entrou nas mídias sociais, deve estar pronto para ouvir e responder, promover diálogos com todos, sejam eles simpatizantes ou não. O Twitter, Facebook, Orkut, Formspring, não é lugar para monólogo, tudo pode e deve virar um diálogo, um debate. O candidato pode conseguir votos e o cidadão pode obter respostas (mesmo que sejam apenas promessas) e assim tirar a dúvida sobre quem votar.
Esse post que escrevo aqui é motivado depois que recebi uma dezena de e-mails com títulos “bombásticos” afirmando terem descoberto o passado negro de Dilma (ela foi uma guerrilheira e assaltante de banco, mas o que meus amigos dos e-mails não sabem é que esses “arquivos confidenciais” pertecem a polícia da ditadura, mais conhecida como DOPS) ou ainda as falcatruas de José Serra (de que ele teria uma sociedade em uma ong chamada IDELT que teria recebido mais de 5 milhões do governo paulista, mas cadê as provas? Ou as ligações dele com o famoso caso do BNDES, nossa… você ainda lembra disso?).
Eu fico impressionado com o poder que a Internet outorga às pessoas, elas podem disparar centenas de e-mails defendendo seu candidato e atacando o inimigo com o mesmo calor das militâncias nas décadas de 80 e 90 (lembram-se dos “caras-pintadas” contra o Collor? Tem gente que pintou o rosto e até hoje não sabe exatamente o porque…) . Dos presidenciáveis, talvez a mais ilesa de tudo isso é a Marina, mas quem diria, tem e-mails para ela também! (simpatizante do MST, e defensora do governo de Evo Morales… aquele das refinarias da Petrobrás na Bolívia!)
90% dessas mensagens são uma baboseira sem tamanho de pessoas presas à tradições familiares que por pior que seja o candidato, precisam defender sua posição entre direita e esquerda (se é que ainda existe lado na política brasileira) ou ainda influências religiosas que acreditam que existem “forças malignas” por detrás de algumas siglas, loucura!!! Mas eu não quero nem de longe me meter em política (meus tempos de militância morreram junto com as promessas…), mas o fato é que a Internet esta ai, causando uma nova revolução, só que muito mais abrangente e cheia de argumentos, só para se ter uma idéia em números:
A internet no Brasil possui 64,8 milhões de usuários e 80% acessam as redes sociais (dados até 9/09)
404 políticos usam o twitter
O político com maior número de seguidores é José Serra com 218.811
83 dos políticos no twitter são do PT
250 dos políticos são deputados federais
Se algum político desavisado ainda não acordou para o fato de que a Internet é a bola da vez para as próximas eleições, é bom ficar ligado. Existem certas realidades que são inevitáveis. E a influência das mídias sociais nas próximas eleições é uma delas.
A política brasileira ainda está muito longe de entender a filosofia que norteia o novo mundo das mídias sociais. União por afinidades, ações coletivas em prol de um bem comum, mobilização de pessoas de diferentes países, projetos inovadores e criativos, campanhas online e novidades nascem diariamente no mundo web. Como o próprio nome já diz, é a teia que vem sendo tecida e que une o que antes não seria possível: gente, ideais, valores, quereres, força e poder. Os anônimos estão ganhando voz, porque sua força vem do coletivo. A vida na Internet é essencialmente colaborativa.
Podemos acreditar que essa eleição vai ser marcada pela batalha digital, todos os candidatos acreditam que a internet mais especificamente as redes sociais (Blogs, Twitter, Orkut, Ning, Formspring, Youtube e Facebook) serão uma importante ferramenta para conquistar os eleitores. Explorar a Internet não é fácil (eu que sobrevivo disso sei bem do que estou falando…), mas é um meio de comunicação muito mais acessível financeiramente que as mídias tradicionais. Ao mesmo tempo em que os freqüentadores de sites vão se irritar com a forte presença de políticos (ou coisa parecida) será interessante analisar esta invasão.
É sabido que as classes C e D estão já incluídas no meio e devido ao óbvio interesse desses candidatos em atingir massas, o trabalho de webmasters e escritores (principalmente os mais populares, chamados pró-bloggers) será muito exigido e descobrir as soluções utilizadas pelos mesmos será decisiva em uma nova forma de se fazer campanha. Inspirados pela eleição vitoriosa de Barack Obama (presidente dos Estados Unidos da América) que se utilizou da rede até para receber doações. Obama já provou que esse tipo de estratégia dá certo, mas será que os políticos brasileiros estão prontos para isso? Assim, veremos nas Eleições de 2010.
Enquanto isso, sigam (bem de perto) nossos três candidatos: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva

Eu também recebi uns e-mails bem sem noção falando do Serra, eu vou votar nele por uma questão de falta de opção, mas vamos ver como nossos candidatos vão se comportar a partir de agora quando realmente a campanha começa (depois da copa)