A verdade sobre o Social Commerce e compras coletivas

Tenho lido muita coisa sobre e-commerce e redes sociais nos últimos meses, e algumas delas um tanto absurdas. Me parece que há uma tentativa de apresentar a junção de ambos os conceitos  (chamado de Social Commerce) como a “nova tendência” do relacionamento web e o comércio virtual! Bem, eu preciso analisar com você alguns paradigmas, conceitos e fantasias sobre esse assunto. Minha preocupação maior é que profissionais de tecnologia, marketing e estudiosos das mídias sociais têm enxergado tudo isso apenas como o renascimento da “propaganda boca a boca”, quando na verdade entendo que precisamos caminhar alguns quilômetros mais adiante e visualizar quem sabe oportunidades de negócios.

Quem sair na frente, poderá lucrar no futuro com esse conceito

O primeiro mito que preciso derrubar é de que o Social Commerce pode ser realizado fora de redes sociais e o segundo mito é de que sites de compras coletivas (ou de clube de descontos) são a sua personificação! Não queira colocar os sites de compras coletivas ou sites de descontos como exemplos de Social Commerce. Veja, compras coletivas são uma tendência inegável e com certeza irão ajudar a ditar as regras de consumo para a próxima década, mas não podem ser considerados como ferramentas sociais, e sim comerciais coletivas!

Os sites de compras coletivas, que surgiram nos EUA no ano de 2008 e que tiveram no Peixe Urbano sua primeira iniciativa totalmente tupiniquim, são na verdade a redescoberta de que juntar uma quantidade considerável de pessoas que desejam um produto pode atrair empresas para oferecer melhores preços ou até mesmo em condições extremamente promocionais. O empresário moderno pode investir neste método persuasivo de marketing, onde o deslumbre pelo desconto faz com que o consumidor descubra novas marcas e produtos pelo simples fascínio de estar levando vantagem diante dos demais que estão pagando até 90% mais caro por um produto!

Se eu tivesse algo pra vender e necessitasse de uma ação poderosa de marketing, amanhã mesmo estaria anunciando minha oferta em um site desses! As compras coletivas evoluíram muito! Lembra-se inicialmente nesses sites, quando existia a regra única de que uma oferta só seria válida quando atingisse um número determinado de compradores? Isso hoje não acontece mais na maior parte dos casos! Agora a oferta vale a partir do momento de sua publicação e “o céu é o limite” para algumas ofertas (apesar de alguns sites continuarem a trabalhar com “limites de compra” quando eles na verdade não existem, sendo apenas usados como um estímulo para o apetite voraz do consumidor atual que gosta de se sentir “exclusivo”).

Agora, mesmo que compras coletivas seja uma febre, a Wikipédia não nos deixa afirmar que isso é Social Commerce (leia a definição em inglês para Social Commerce), pois em primeiro lugar não há nada social nesse método de compra, para falar bem a verdade, o comprador até torce para ter poucas pessoas comprando o cupom, para que ele seja mais bem atendido ou beneficiado (já imaginou um SPA com super lotação de pessoas que compraram um “day spa” com 80% de desconto?). Entenda, para ser “social”, estes sites deveriam usar as mídias sociais para divulgar e vender seus produtos, e isso AINDA não aconteceu plenamente, e é nesse fato que talvez estejam as oportunidades para ideias inovadoras! Existem exemplos na web de tentativas de fazer comércio eletrônico através de mídias sociais:

  • Recomendação e Avaliação – O Submarino, Americanas, Amazon, Saraiva, FNAC, Mercado Livre e Amazon são um exemplo, quando você compra algo, o site recomenda produtos relacionados que outros consumidores compraram, e mostra as avaliações e notas do produto cadastradas pelos usuários.
  • Colaboração e participação dentro do site de e-commerce que envolva o consumidor a colaborar no estilo open innovation,  um exemplo é a Camisetaria.
  • SMM Social Media Marketing são ações para gerar tráfego via mídias sociais, essas ações envolvem atuação nas redes sociais que o seu público-alvo frequenta (ex: Dell e Bradesco no Twitter)
  • SEM Search Engine Marketing são ações que visam gerar tráfego para o site de e-commerce via buscadores (Google, Yahoo, Bing, etc.), atraindo consumidores para compra, ou sistema participativo fora de um site de e-commerce, que envolva o consumidor a colaborar (ex: Fiat Mio, MyStarbucksIdea, etc.).

Iniciativas fantásticas! Mas isso ainda não é Social Commerce! Então nesse momento você me pergunta: Não tem nada parecido com Social Commerce ainda? Eu conheci uma ferramenta interessante chamada Bloompa, criada pelos empresários Thiago Nascimento e Ricardo Dantas. A empresa nasceu após estudo que Thiago e Ricardo realizaram na PUC do Paraná durante a realização de um trabalho de conclusão do MBA em Empreendedorismo Tecnológico. O espaço virtual reúne usuários que desejam falar e saber sobre qualidade, preço, economia e usabilidade de produtos e serviços comercializados na web. O usuário cria uma lista de desejos, que compartilha com seus amigos, onde pode avaliar um produto e até criar campanhas indicando onde encontrar algo mais barato, por exemplo. Outra possibilidade é angariar Bloomps para um determinado produto e brigar por preço com o comerciante! Começou a ficar interessante? Apesar da ferramenta ainda estar em fase de beta testes, entendo que o Bloompa é a tentativa de atingir este verdadeiro filão formado por:

  • 8 em cada 10 brasileiros participam de algum tipo de rede social online
  • O comércio eletrônico no Brasil faturou R$ 6,7 milhões no 1º semestre de 2010 (WebShopers)
  • 74% dos compradores online observam as recomendações de produtos (eMarketer)
  • 86,3% dos compradores online considera lojas eletrônicas confiáveis (e-bit)

As plataformas sociais estão se mobilizando, ferramentas como Foursquare começam a se preparar para essa tendência ao lançar um recurso onde os consumidores são alertados quando existe alguma oferta próxima de sua localização. Existe também a Uniqlooks, que é uma plataforma para postar fotos de roupas ligadas ao Facebook e lojas de e-commerce, e para quem é fã da série Dexter, Ao entrar na Fan Page do seriado no Facebook, o visitante se deparará com uma aba chamada Shop. Ali se encontra uma vitrine de alguns produtos que são vendidos na loja. A partir deste aplicativo para o Facebook, os visitantes podem efetuar suas compras ou compartilhar os produtos que mais gostaram pelo botão “curtir”.

O previsível esta acontecendo, pois o Facebook já estuda lançar sua plataforma de compras coletivas integrada à sua rede social (leia a matéria no site da Bloomberg), unindo exatamente estes conceitos que ainda estamos buscando entender, e trabalhando com o chamado Behavioral Commerce, que utiliza o comportamento humano como arma para vender. Conceito que existe desde que o ser humano começou a analisar o consumidor para adequar a sua venda. O Behavioral Commerce é de forma simples, a analise e identificação do comportamento humano, e usar o resultado disso para gerar uma venda (leia um pouco sobre isso no meu post sobre Marketing e Internet).

Social Commerce não acontece apenas quando um internauta faz um comentário sobre o produto, deixa uma avaliação sobre o processo de compra, ou ajuda outro usuário que quer comprar ou acabou de comprar um produto. O conceito correto (se é que ele exista de fato) é ser um ambiente democrático e colaborativo de comércio, onde a plataforma não esteja a serviço de uma marca, mas que localize para nós nossos sonhos de consumo de acordo com o nosso perfil, seguidores, comunidades e conteúdos postados, e permita que juntamente com os nossos amigos ajudemos a customizar ou criar nossos próprios produtos, brigar por melhores preços diretamente com o fabricante, criar nossas ofertas, intermediar vendas, colocar vídeos e fotos de como estamos usando os recursos da nova câmera digital que acabamos de comprar, ou leiloar nossas bugigangas (imagine quem comprou o iPhone 4 vendendo o produto para comprar a versão 5! Vendendo para apaixonados pela Apple que ainda sonham com o seu primeiro iPhone, mesmo que usado…), e promover campanhas de desconto junto à grandes marcas reunindo seus amigos da rede, e compartilhar experiências de consumo com pessoas do mundo todo. E porque não também vender produtos que nós mesmos fabricamos nesse grande mercado virtual, ou rede social? Seria uma mistura maluca de Facebook, Orkut, Youtube, FlickR, Foursquare e Twitter com Mercado Livre, eBay, Peixe Urbano e algumas pitadas de Bondfaro e Buscapé! Você esta achando loucura? Não amigo!!! Isso é o futuro… Acredite!

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6 Resultados

  1. Wesley disse:

    Boa Noite, Rodrigo. Acabei de ler a respeito do seu artigo e o achei super interessante e que reflete muito sobre um sistema que acabei de lançar juntamente com um amigo o Compritada$ (http://www.compritadas.com.br) criamos um sistema totalmente voltado para o social commerce integrando o Twitter e o PagSeguro, onde qualquer usuário que tenha uma conta no Twitter pode Vender, Comprar, Trocar ou Leiloar qualquer tipo de produto ou serviço, e toda ação do usuário em relação ao produto do outro é enviado via DM, ações essas: Oferta de compra, troca, participação em leilão, postagens de comentários entre outras é um sistema que está totalmente voltado para o social commerce e ele é 100% gratuito e qualquer pagamento é feito diretamente na conta que o usuário possui no PagSeguro. Gostei muito do seu conhecimento sobre o assunto e gostaria que você acessasse o site Compritada$ e nos desse a sua opinião.
    Abraço.

  2. Evaldo disse:

    Parabéns pelo post!

  3. Anderson Palma disse:

    o site http://www.descontonamao.com é um dos melhores o bom é que vc indica a promoção e a região que vc quer a promoção e eles buscam a parceria e em pouco tempo lá está ela… o melhor ainda eles tem como forma de pagamento o pagseguro da empresa UOL e o mercado pago, isso dá uma baita confiança pra gente… essa semana eu comprei um site de 800 por 99 reais… é absurdo essas ofertas…rssrsr o bom é que a gente aproveita….
    Fonte(s):
    http://www.descontonamao.com

  4. Marco Menezes disse:

    ¡¡Muito bem colocado Rodrigo!!
    E, acrescentando, o que eu mais achei legal no comercio coletivo virtual é que o “Jeitinho Brasileiro” sempre aparece!
    Quer seja com lob em um desconto de um preço que não é real mas chama a atenção pelo percentual de desconto que se consegue;
    e também que estes sites são regionalizados, portanto permitem que pequenos vendedores/fabricantes possam se aproveitar das sazonalidades do comércio e competir durante um tempo com marcas mais famosas, coisas que com suas estruturas e estratégias de maketing nunca coseguiriam!
    Um exemplo conjunto disso que eu vi foi: Uma empreza do ramo alimentício colocou o seu produto a venda em um desses sites, neste caso foram ovos de pascoa. O com o preço original anunciado não creio que venderiam mais doque três quatro dezenas do ovo.
    Mas com a junção de:
    -lob – jogar o preço lá em cima e oferecer um desconto “absurdo”;
    -a regionalidade – eles não vão ter que se preocupar com mais propagandas e pedidos de ultima hora, pois o site extipula uma data limite para a compra do produto, e cada cliente que comprou vai ter que ligar para confirmar o pedido e ir busca-lo dentro de 4 dias pré-determinados;
    – a sazonalidade – A empreza é do ramo alimenticio, porém não teem nenhuma ligação com doces ou chocolate, mas durante o periodo de pascoa farão isso;
    Desta forma conseguem, dentro de sua estrutura, garantir seu espaço de mercado concorrendo com emprezas já tradicionais.
    Enfim, mesmo com a minha projeção de vender entre 30 e 40 unidades na qual teriam mais prejuizos doque lucros, eles venderam quase 370 unidadesem apenas uma promoção no site.
    Isso nos mostra, como o Rodrigo mencionou, que esse tipo de comercio (social ou não) ainda vai nos dar muitas surpresas!!

  5. Ana disse:

    Puxa, finalmente um post nesse blog hein Rodrigo? Gostei demais desse assunto, e queria saber se voce tem material sobre o Behavioral Commerce porque naquele seu outro post que voce linkou não fala disso diretamente

  6. Mayk Brito disse:

    Muito bom Rodrigão! E percebo essa tendência que você colocou nas últimas linhas. Essa é, realmente o que parece ser, a social (face, orkut, twitter …) commerce (ebay, ml, peixe…).

    E é certo que o nível de venda e até troca de produtos atingirá patamares incríveis e, por que não, imensuráveis nos próximos anos!!

    Na verdade nada há de novo debaixo do sol, pois desde muito tempo é assim! (lembremos da história do comércio, as trocas naturais, a geração de riquezas e saberemos que é assim!). Só que agora o cotidiano é world-wide web.

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