As emoções, a Inteligência Artificial e os negócios

artificialintelligenceSistemas computacionais já são capazes de expressar emoções? Se sim, como isso poderia afetar o mundo dos negócios?
A resposta começa em um novo campo de pesquisas chamado de Affective Computing, criado no MIT em meados da década de noventa. Trata-se de um campo de natureza interdisciplinar, para o qual concorrem a Psicologia, a Neurociência, a Sociologia, a Psicofisiologia, as Ciências Cognitivas e as Ciências da Computação, principalmente no ramo da Inteligência Artificial.
As pesquisas em Affective Computing subdividem-se em duas principais vertentes: a primeira realiza estudos sobre as emoções humanas e suas reações por meio de técnicas computacionais; a segunda pretende criar sistemas computacionais capazes de expressar emoções (artificiais) em resposta a estímulos externos.
Complementando a resposta à pergunta inicial, existe um outro campo de pesquisas conhecido como Responsive Systems, cuja tecnologia permite desenvolver equipamentos que respondam a estímulos ou eventos externos, isto é, sistemas que reagem e tomam ações quando “sentem” alterações no ambiente ou quando recebem estímulos de outros sistemas. Por exemplo, um sensor (de nível, temperatura, etc.) que atinge um determinado valor é percebido por um Responsive System que ativa outros subsistemas e toma uma série de ações pré-determinadas.
Os Responsive Systems têm grande valor em aplicações de “chão de fabrica” onde se apresentam sob a forma de sistemas embarcados (embedded systems), com hardware e software dedicados. Também são conhecidos como Sistemas de Tempo Real ou Sistemas Baseados em Eventos.
Essa tecnologia é atualmente bastante empregada em processos de produção industrial, nos quais sistemas que controlam processos são capazes de acionar outros sistemas ou tomar alguma outra ação quando “percebem” a ocorrência de um evento ou recebem algum estímulo. Muitos sistemas implementam essa capacidade para poder atender aos requisitos de tempo de resposta e segurança.
É possível notar uma convergência de Affective Computing e Responsive Systems para uma ciência que visa criar sistemas autônomos e inteligentes, reagindo de acordo com a observação do ambiente, incluindo os seres humanos e seus gestos, expressões, sinais de humor e sons. Mas como relacionar essas tecnologias com o mundo dos negócios?
A utilização dos Responsive Systems, antes aplicados somente em ambientes considerados críticos (por exemplo uma usina nuclear), vem crescendo em sistemas corporativos, e temos ainda mais possibilidades ao utilizá-los juntamente com Affective Computing. Previsões da bolsa de valores poderiam ser realizadas com base em parâmetros subjetivos, tais como ânimo e expectativa. Sistemas de varejo poderiam estudar tendências de compra e venda, e até criar correlações com situações de estresse e alterações de humor.

Tendo em vista a grande quantidade de aplicações no mundo dos negócios, a utilização dos Responsive Systems, aliada às técnicas de inteligência artificial e apoiada pelos avanços do Affective Computing poderá oferecer ferramentas de apoio à tomada de decisões. Pois mesmo que o homem procure agir de maneira racional, segundo o discurso cartesiano, ele é constantemente influenciado por suas próprias emoções e pelo ambiente ao seu redor.

Para saber mais:

http://affect.media.mit.edu
http://en.wikipedia.org/wiki/Affective_Computing

http://en.wikipedia.org/wiki/Embedded_system
http://www.research.ibm.com/journal/sj47-2.html

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2 Resultados

  1. Cristiane disse:

    Olá Rodrigo, hoje me diverti um pouco com seu Blog, vejo que a cada dia você cresce mais na sua área, fico feliz por isso.

  2. Eduardo disse:

    Andei lend uns tempos atrás sobre a reprodução de sentimentos em algoritmo computacionais, e quer saber minha opinião? É MUITA VIAGEM!!!

    Eu acho que a Affective Computing e Responsive Systems uma coisa de nerd com mania de Deus

    Rodrigo, você tem mais informações sobre a pesquisa que a USP tá fazendo?

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