A inevitável orkutização das redes sociais no Brasil, isso é bom ou ruim?

Eu conheci essa semana um adolescente que nem conheceu o Orkut! Ainda me lembro de uma pesquisa da Serasa Experian (aquela empresa famosa que coloca maus pagadores em sua lista negra), de novembro de 2011, que apontava que a liderança das redes sociais no Brasil era: Orkut (35%), seguido de Facebook (29%), Youtube (18%), Windows Live (2,45%) e Twitter (2,33%). Essa pesquisa começava a apontar a queda da rede Live (Microsoft) e do Twitter, e um crescimento astronômico da rede social de Mark Zuckemberg (Facebook), que chegou a crescer em média 25% ao mês, até chegar ao topo, e desbancar o Orkut em dezembro daquele mesmo ano!

Me recordo que entre os argumentos para esse crescimento do Facebook, era de que havia claramente uma maior facilidade na hora de compartilhar conteúdo, melhor controle de spam e bloqueio de conteúdos que perturbavam a timeline. Além de uma interface que não se colocava entre os usuários e o conteúdo. Com isso, o Facebook mudou o jogo das redes sociais no Brasil, e se consolidou como a maior do país.

Passados dois anos, me deparo com uma nova pesquisa divulgada este mês, pela mesma Serasa Experian, mostrando que o Facebook tem a incrível marca de 73% do mercado nacional! Veja os números:

Bem, além da hegemonia do Facebook, o que me impressiona é a contínua queda do Twitter no Brasil desde 2010, e o crescimento do Youtube se consolidando como segunda rede social dos brasileiros. Eu gostaria de refletir com você sobre isso, não apenas como usuário, mas como empreendedor digital!

Sobre o Twitter, o uso dele no Brasil é bem diferente do resto do mundo. Boa parte das pessoas por aqui são usuários passivos, só leem ou retuitam o que os outros postam, e raramente tuitam algo próprio, além da grande maioria terem uma quantidade de seguidores irrisória. Só para se ter uma ideia disso, o número de acessos do Twitter caiu 24% no Brasil só em 2012. Paradoxalmente, aumentou 22% nos Estados Unidos, enquanto o Facebook esteve em queda por lá.

O motivo apontando por especialistas pra esse comportamento diferente lá fora, é que lá os adolescentes e jovens acabaram se cansando de tanta exposição no Facebook, com essa história de amigos misturados com família, com trabalho, escola, etc… Um problema que o Google+ até tentou solucionar, mas quem é que tem tempo de ficar jogando gente no círculo X ou Y?

E o Youtube? Que fantástico ver uma rede social de vídeos crescendo assustadoramente! As emissoras de TV estão com as barbas de molho… E a tendência é crescer ainda mais. Por exemplo: Agora dia 21 novembro, em um evento em São Paulo, foi lançado o YouTube Edu (clique aqui para acessar), uma plataforma que reúne 8 mil vídeos educacionais de 26 canais brasileiros com conteúdo do ensino médio. O acesso é gratuito para aulas sobre matemática, biologia, língua portuguesa, física e química.

A empresa Cisco já vinha alertando sobre o crescimento dos vídeos há tempos, foi ela mesmo que em junho deste ano revelou uma pesquisa de que até 2015, serão 1 milhão de minutos de vídeo, o equivalente a 674 dias, que cruzarão a Internet a cada segundo. Vídeos de pessoas comuns fazendo sucesso e competindo com grandes corporações midiáticas, você já assistiu algum Vlog?

Isso me faz pensar sobre a qualidade do conteúdo que postamos nas redes. Vejo gente postando coisas sem contexto, que ninguém entende! Começo a perceber um início de “orkutização” na rede, com um número excessivo de compartilhamentos de mensagens prontas, além de muitos posts assim, sem detalhes, onde a história vai se desenrolando graças aos comentários (quando surgem corajosos).

Uma coisa é certa: os brasileiros gostam de postar coisas sobre eles mesmos, é estatístico. São textos, fotos, vídeos ou áudios, onde normalmente nós somos os protagonistas. Mas a pergunta que deixo, é se a rede social deve apenas ser o nosso diário eletrônico ou computador de bordo, ou se realmente a rede deveria ir além, e ser essencialmente: uma rede de relacionamentos, ou simplesmente “social”. O que achas?

Até a próxima!

Você pode gostar...

2 Resultados

  1. Elvis disse:

    Oi, Rodrigo!

    Diferentemente do “post” do Steve Jobs, com esse das redes sociais etc e tal, eu concordo.

    Mas coloco algumas linhas.

    Preliminarmente, não sou adepto do Facebook, precocemente cometi “orkuticídio”, quando percebi a minha privacidade indo para o ralo e, enfim, aguardo uma rede menos expositora e mais educativa.

    Assim, os “sites” educacionais (com ou sem vídeos) para mim apontam para o futuro mais auspicioso.

    Ademais, sou aluno virtual de um curso em nível de pós-graduação e confesso-me plenamente satisfeito pelo conteúdo, pelos desafios e, especialmente, pelas exigências: por não estar a competir com colegas, devo superar os meus esforços e resultados em cada etapa, portanto, o processo é enriquecedor.

    Quanto ao Facebook e Youtube (não estou a falar do Youtube Edu, por favor!) aparecem muito mais como adolescentes, ingênuos, vaidosos (dói escrever, mas é verdade), superficiais e com prazo de validade, ou seja, em um futuro próximo ou não, quem deles vai lembrar?

    Já tive 14, 15, 16 e 17 anos, claro! Adorava me exibir, sentia-me o máximo quando vestia uma roupa “no capricho”, hoje “de griffe (com dois efes, não é)”. Sobrou nada desse período, exceto algumas fotos ridículas (na ótica atual) além das recordações, algumas boas, outras, nem tanto.

    Sim, e as músicas – um capítulo à parte.

    À primeira vista, este texto pode parecer preconceituoso:

    _ Ah! Ele agora pensa assim porque ‘tá velho, mas quando era moço…

    Calma, calma!

    Quem nunca se arrependeu de ter dito alguma coisa? Quem nunca se arrependeu de ter feito alguma coisa? Se apenas foram ditas ou aconteceram, talvez não fiquem grandes marcas.

    O problema das redes sociais e dos meios virtuais de hoje é a maldita documentação. Tudo pode ser gravado, registrado e…

    E permanecer, caramba! Pelo menos, na mente dos mórbidos e dos “vampiros”, como sabemos, com vida “ad aeternum”, portanto, podem reaparecer em qualquer tempo.

    Aí, um belo dia, o sujeito “recebe na cara” a besteira feita no passado, pior, muito bem documentada e vai fazer o quê?

    _ Ah, meu filho! Eu não sabia o que estava fazendo…

    _ Ah, meu bem! Eu era solteiro e me achava o gostosão…

    _ Ah, meu neto! O teu avô era ridículo e não sabia…

    Enfim, melhor prevenir a (tentar) remediar.

    E, na dúvida, antes de postar aquela foto “sensual” ou aquele desaforo a xingar qualquer um, pensa…

    Pensa, mocinho! Pensa, mocinha!

    O verbo arrepender só aparece depois, já percebeste? Enquanto isso, o verbo pensar tem uma amplitude maior.

    Forte abraço,

    Elvis
    (Salvador/BA – 8 MAR 2014 – 16:16).

  2. Genilson disse:

    Olá, Rodrigo. Entendi suas colocações, mas o termo “orkutização” não apenas é pejorativo (uma vã tentativa de alguns metidos a besta de segregar a ascendente classe C) como também é inexato. O que de fato há é um “abrasileiramento” das redes sociais, e isso ocorre independentemente de classe social, é um fenômeno do nosso país, ponto. Como tudo chega atrasado por aqui, o Facebook manterá sua curva ascendente e relevância no Brasil por um bom tempo, ainda que o sinal amarelo já esteja aceso (uma recente pesquisa entre profissionais de marketing digital feita pelo Scup estima em três anos a “vida útil” da rede de Mark Zuckerberg). Quanto ao YouTube, seu crescimento seria ainda maior caso nosso acesso à rede não fosse tão precário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *