Mas por que nossa internet 3G ainda é tão ruim?

g6okpRecentemente um amigo esteve nos Estados Unidos, e me relatou sua experiência com a internet móvel por lá. A exemplo daqui, por lá existem os chamados planos pós-pago, e os planos pré-pago mensal, e planos pré-pago por dia (pay by the day), e no caso do meu amigo, ele iria passar poucos dias por lá, logo um plano diário foi bem mais interessante.

No caso dele, os “gringos” tentaram de todo jeito empurrar os planos mais caros, no caso, os planos pré-pago mensais, mas como ele já foi preparado, negociou um plano diário da AT&T com pacote de dados de 200Mb por dia, ligações ilimitadas no país e internet 4G, tudo por 3 dólares/dia, ideal para quem vai passar poucos dias na terra do “Tio Sam”.

A internet por lá ficou entre 15 a 29Mbps (engraçado, o meu Vivo 4G não passa dos 2Mbps, o que já é um milagre se comparado com outras operadoras), e era possível segundo ele, navegar no GPS, e falar no Skype ao mesmo tempo no meio da estrada, é mole?

Mas por que a internet no Brasil é tão ruim? O que houve de errado no nosso projeto de telefonia móvel?

Penso que a resposta dessa pergunta é bastante complexa, como a maioria dos nossos problemas no Brasil. Mas tentando entender as coisas, volto às origens do processo de privatização das empresas de telecomunicações, as chamadas “teles”, e começo a encontrar o fio da meada dos problemas.

Antes de 1997, a telefonia móvel no Brasil era administrada em todo o território nacional pela Telebrás, controladora de inúmeras empresas estatais regionais tais como, Telesp Celular, Telemig, Telenordeste Celular, entre outras. Era um serviço inviável para a grande maioria dos brasileiros, mas com a privatização ocorrida em 1998, todas as empresas passaram a ser geridas por empresas privadas, e deu-se início a popularização do serviço.

Mas este início foi muito ruim, com preços exorbitantes e uma rede totalmente sucateada entregue pelo governo. Daí, com o intuito de incentivar a competição, criaram a chamada Lei Geral de Telecomunicações, prevendo incentivos para a criação de empresas que concorressem com as teles recém-licitadas, que haviam herdado todo o legado das estatais recém-vendidas.

A princípio deu certo, mas hoje na prática, o que há são as grandes fusões de empresas do setor, sendo o último episódio, o da possível união entre Vivo e Tim, por ora abortado pela Telefônica e Itália Telecom, suas respectivas controladoras, com isso, voltamos a ter poucas opções.

Um outro fator que torna o Brasil o “paraíso” das teles é a morosidade da justiça brasileira, que permite uma infinidade de recursos, o que acostumou as operadoras a descumprirem reiteradamente metas de qualidade definidas pelo governo. Uma delas, exigida pela Anatel, obriga que a velocidade mínima de 20% seja atingida em 95% das medições realizadas. A regulamentação da agência também dispõe sobre a velocidade média obrigatória de 60% que deve ser atingida mensalmente a partir de dados colhidos ao longo do período. Acredite, nem essa meta ridícula é atingida em boa parte do Brasil, e muito menos fiscalizada de fato.

Isso coloca as “teles” no topo da lista do Procon de cobranças indevidas e velocidades fora do padrão. Junte à todos esses problemas, o fato de que temos uma das maiores cargas tributárias do mundo no setor de telecomunicações.

O relatório anual da UIT (União Internacional de Telecomunicações) de 2013, aponta o que nós já sabíamos: O Brasil tem a tarifa de celular mais cara do mundo! O órgão da ONU analisou 161 países e deixou claro que o nosso está entre os piores, em termos financeiros. Contando também com o que se cobra por aqui pelo uso de telefone fixo e internet, o Brasil fica na 93ª posição.

Ainda segundo o relatório, o custo médio do minuto falado ao celular em horário de pico sai por US$ 0,71 entre linhas de mesma operadora aqui no Brasil, mas sobe para US$ 0,74 quando ocorrem chamadas entre prestadoras diferentes.

São valores três vezes superiores que os praticados nos Estados Unidos ou em Portugal. Em comparação com a Espanha, de onde vem a Telefônica (dona da Vivo), estamos pagando cinco vezes mais. Colocado de frente com Hong Kong, onde a tarifa por minuto é de US$ 0,01 fora do horário de pico, o brasileiro está pagando 70 vezes mais.

E os problemas continuam! Segundo informações da Anatel, o Brasil possui 260 milhões de linhas móveis, e este número supera em 30% a população brasileira. Uma parte considerável dessas linhas pertence a pessoas de baixa renda que, para economizar, possuem chips de várias operadoras e procuram se beneficiar das promoções ou isenções de tarifas em ligações oferecidas em cada plano.

Essa informação da ANATEL explica um pouco o problema de congestionamento da rede, já que na maioria das vezes onde há ampla concentração de usuários utilizando esses serviços como, por exemplo, em shoppings, eventos e shows, ocorre a queda brusca da qualidade do serviço.

Fica evidente que nossa rede não estava preparada para esse “boom”. Ponto negativo das nossas operadoras por não fazerem uso de um “backbone” nacional (sistema que possibilita maior tráfego de dados) de qualidade, e projetado para uma economia em crescimento. Mas sendo justo, esse problema da falta desse sistema não ocorre somente no Brasil. Nos Estados Unidos da América também existe um Plano Nacional de Banda Larga que não consegue sair do papel, ainda mais agora com crise financeira por lá.

Aí você me pergunta: Mas Rodrigo, como será na Copa do Mundo? Bem amigo… Nos vemos na próxima!

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1 Resultado

  1. A diferença é clara: lá oferecem o melhor serviço pelo menor custo. No Brasil só querem lucrar e lucrar, quanto mais ruim o serviço mais lucro eles tem. =/

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