Na era da internet e do P2P, vender CD é desafio para artistas

leonardo Gonçalves_0Eu diria que esta chegando o momento em que vender um CD de música pode ser uma aventura tão emocionante como vender uma máquina de escrever na era dos tablets!

Sou de um tempo em que ter um Discman era ser muito “descolado” e moderno. Tempo em que ver os encartes, frequentar lojas de discos e ter dezenas de CD’s no carro era requisito mínimo para ser um bom amante de música.

Confesso que gosto muito de musica, mas igual à muita gente que conheço (talvez seja o seu caso também), já não tenho onde guardar todos os meus CD’s, e muitos deles, acumulam poeira na minha prateleira. Já na era do MP3, houve um tempo que gostava muito de guardar todos os arquivos que aparecia, mas hoje, já não sou um usuário que gosta de ocupar espaço em disco com milhares de gigabytes de musicas, exceto as “prediletas” é claro. Por isso, gosto de serviços como RDIO, Spotify, Deezer, Sonora e Grooveshark. Este último, apesar do ótimo acervo, tem muitos bugs infelizmente.

Para comprar música, o iTunes da Apple sem dúvida é o maior canal de vendas on-line de música do mundo, mas os artistas brasileiros ainda se demoram para explorar esse novo mercado, em toda a sua plenitude. Percebo que deixar o modelo de produção de CD’s para simplesmente vender de forma avulsa suas músicas ainda gera resistência, medo e desconfiança do mercado musical, motivado claro pela medo das gravadoras.

Essa nova realidade do consumidor de música ainda é muito assustadora para os artistas mais conservadores. Me lembro das críticas de Jon Bon Jovi, quando Steve Jobs lançou a plataforma de venda de música pelo iTunes. Na época, para Bon Jovi: “Steve Jobs é pessoalmente responsável por acabar com o negócio da música, hoje o adolescente não tem mais a ideia do que seja um álbum, e nunca foi a uma loja de discos”. Outras dezenas de grandes estrelas engrossaram o coro do cantor.

Sobre a fala de Bon Jovi, sim, em partes é verdade. Claro que a experiência de frequentar lojas de discos é única. Mas as grandes gravadoras são mais culpadas pela derrocada nas vendas de CD’s, do que Steve Jobs, na minha opinião. Já li sobre artistas (cantores, compositores, grupos musicais, etc…) que assinam contratos sem nenhuma consulta com advogados especializados, ou especialistas do mercado, e amargam prejuízos por toda carreira musical. Todos os grandes artistas assinaram maus contratos: Frank Sinatra, Louis Armstrong, Beatles. Mas conseguiram revertê-los pelo talento, o difícil é para quem não tem reconhecimento.

Ok, o tempo passou, e já tem aqueles que se lançaram neste novo modelo, e com sucesso, como por exemplo a cantora Ivete Sangalo, que este ano comemora vinte anos de carreira, e com 5 músicas no Top 5 do iTunes Brasil. A cantora, quebrou um recorde ao colocar seus sucessos na lista de músicas mais baixadas pelos brasileiros através da plataforma Apple.

Em 2013, no iTunes Brasil, a cantora Anitta ganhou o título de “Artista brasileira do ano”, pelas vendas de músicas na plataforma. Na área gospel, Thalles Roberto, Paulo César Baruk, Leonardo Gonçalves e Daniela Araújo lideram a lista dos campeões de vendas digitais.

A possibilidade de comprar músicas de forma avulsa, e em formato digital traz uma alternativa à pirataria. Como os preços são fixos (em média, US$ 0,99 por música e US$ 9,99 por disco ou cerca de R$ 2,40 e R$ 24, respectivamente), os consumidores podem ter material de qualidade superior ao pirata por valores acessíveis. Isso tudo somado à simplicidade de transferência, tem feito a música digital decolar no Brasil.

Existem outras vantagens, como a ambiental por exemplo, mas com certeza, a principal vantagem é comprar apenas as músicas que agradaram. Com a venda digital, não sou obrigado a levar para casa um CD de 15 faixas, por causa de apenas 2 músicas que me agradaram, só isso já vale, certo?

Tenho amigos (e clientes inclusive) que são músicos, e para todos tenho dito: CD é para apaixonado! Para esta nova geração acostumada a baixar musicas no P2P, que ouve rádios on-line, podcasts, e quem tem playlists gigantescas em seus players portáteis, o consumo é pelo mundo do MP3! Não quer ter prejuízo? Venda on-line também!

Concordando ou não, o mercado muda, e de forma inexorável!

Até a próxima!

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