Protestos, Copa, Política e Redes Sociais. A mistura que promete, vai ficar fora dessa?

24062014123221Me lembro de ler ano passado uma matéria da BBC onde afirmava que os brasileiros descobriram a força de mobilização, através das redes sociais, para alavancar os protestos.

E realmente, um levantamento da consultoria Serasa Experian, divulgado pelo jornal Valor Econômico, apontou que o Facebook teve uma taxa de participação (perfis de usuários que tiveram atividade) de 70% dos brasileiros presentes no site no dia 13 de junho de 2013, o terceiro pico de participação do ano. O Twitter, por sua vez, contabilizou cerca de 11 milhões de tweets com a palavra “Brasil” e as hashtags #VemPraRua, #OGiganteAcordou, #ProtestoSP, #MudaBrasil e #SemViolencia e #VerásQueUmFilhoTeuNãoFogeALuta, e 2 milhões mencionando “protesto” entre os dias 6 e 26 de junho de 2013.

Se era pelos 20 centavos ou não eu não sei, e nem quero entrar no mérito político, não neste parágrafo! Mas a Copa do Mundo no Brasil está ai e as eleições se aproximando, e junto com tudo isso vem novamente o alto engajamento e interação dos brasileiros nas redes sociais, debatendo sobre temas como: a paixão do brasileiro pelo futebol, opiniões sobre os times e seus craques, palpites sobre a nossa seleção, patriotismo só em época de copa, o tamanho do rombo dos cofres públicos para sediar o evento, o valor dos estádios, a inércia do governo diante da inflação, as pesquisas eleitorais, denúncias, o poder da FIFA no Brasil, as vaias para a Dilma e até sobre a possível compra da Copa para garantir a reeleição! Tudo isso brotando e criando tensão, debate e vida na rede! E isso é ótimo, não acha?

As redes sociais são como um organismo vivo e sem controle, onde pessoas fazem parte de um grande nó que ninguém pode desatar, onde só resta entrar no bolo, e fazer parte simplesmente. Neste momento, claro que o assunto Copa domina, mas política vem no pacote. Só para se ter uma ideia, 33 milhões comentaram sobre o jogo Brasil x México, houve um recorde de streaming nessa partida, chegando a 4,59 Tbps. O Facebook somou 459 milhões de interações só na primeira semana da Copa. As interações variam entre pró ou contra o evento, e destas interações, muito se gerou de debates político-sociais.

Me lembro que recentemente um jovem manifestante deu uma entrevista dizendo que “as redes sociais nos ajudaram a nos organizarmos sem termos líderes”, concordo, agora todos podem influenciar e serem influenciados! E consequentemente devem estar preparados para a aceitação e rejeição de seus “amigos”.

Diferente do que muitos têm afirmado, a Copa não fez o brasileiro esquecer da política, pelo menos é isso que fica claro nas declarações de Mauro Paulino, diretor do DataFolha. Paulino afirma que “os brasileiros desde outros mundiais já não confundem mais política com futebol, pelo contrário, as discussões e debates durante as Copas só aumentaram”. Veja o exemplo abaixo em relação à outros mundiais, mostrando que as copas interferem sim no cenário político (durante o torneio), e nem sempre seguindo a lógica de quem poderia ser beneficiado:

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Onde quero chegar? É hora sim de discutir política! E é hora sim de torcer! É chegada a hora de não misturarmos mais as coisas, e de não sermos reféns do pão-e-circo. As redes sociais não podem ser controladas, sua opinião não pode ser silenciada, e seu patriotismo (mesmo que evidente apenas em época de copas) não pode ocultado!

Torça pelo Brasil com um olho, mantenha o outro bem ligado nas eleições deste ano, e tenha as duas mãos no teclado, preparado para deixar o seu recado!

Até a próxima!

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