Será a Big Data a maldição ou solução da nossa geração?

big dataHoje é 26 de dezembro, e enquanto a maioria das pessoas ainda esta passando por aquele mal estar pós-natal porque comeram demais, eu acordei atribulado com o sonho que tive esta noite, o tema do sonho (ou pesadelo): BIG DATA!

Sei que nem todos conhecem bem o termo, então deixa tentar explicar: Big Data é o conjunto de ferramentas tecnológicas capazes de lidar com dados digitais em grande volume, variedade de dados e velocidade de amostragem. Na prática, a tecnologia permite analisar qualquer tipo de informação digital em tempo real, sendo fundamental para a tomada de decisões das grandes empresas e governos.

Geramos petabytes de dados a cada dia. E estima-se que este volume dobre a cada 18 meses segunda pesquisa da IBM. Estes dados vêm de sistemas corporativos e públicos, gerados por cadastros, questionários on-line, e-mails, mídias sociais (Facebook, Twitter, YouTube e outros), documentos eletrônicos, apresentações multimídia, mensagens instantâneas, sensores, etiquetas RFID, câmeras de vídeo, GPS, etc.

O que a Big Data pode fazer pelo mundo? Quer exemplos práticos? O projeto Global Pulse das Nações Unidas utiliza um programa que decifra a linguagem humana na análise de mensagens de texto e posts em redes sociais para prever o aumento do desemprego, o esfriamento econômico e epidemias de doenças no mundo. Outro projeto interessante perto de nós, o Big Data foi de grande importância para o descobrimento do pré-sal, devido a sua velocidade, que agilizava os processamentos de dados sísmicos captados pelas sondas que procuram petróleo no fundo do mar e por dados de satélites.

O projeto Big Data Public Private Forum (BIG) financiado pela Comissão Europeia analisa dados dos europeus e apresenta soluções para problemas de transporte, consumo, turismo, meio ambiente, cultura, educação e economia. Um volume significativo de dados é coletado diariamente a partir dos mais variados sensores de tráfego das cidades, índices de poluição, meteorologia, questionários de serviços oferecidos pela internet, redes sociais, lojas e agências de viagens virtuais, ou ainda a partir dos dados de geoposicionamento de milhares de usuários de plataformas sociais.

Eu sei… É assustador imaginar que somos parte de um banco de dados, e que talvez a palavra “privacidade” esteja perdendo seu valor! Agora convenhamos, você não é tão inocente assim, é? Nunca se perguntou como o Google sempre oferece a você em suas buscas os resultados “perfeitos”? Não consegue enxergar como o Facebook causa em você uma dependência gradativamente discreta?

Capturar dados e estrutura-los é a palavra de ordem na tecnologia de dados. Basta lembrar-se de casos famosos nos tribunais, como quando pesquisadores descobriram que o IOS 4 mantinha os dados de localização dos proprietários do iPhone em um grande banco de dados e permitiam um histórico detalhado de onde o usuários estiveram e por quanto tempo! E antes que critique a empresa da maçã, telefones com Android e Windows Phone também sofreram a mesma denúncia!

Lembro-me daquele caso da Carrier IQ, que desenvolveu um software “espião” que registra tudo o que o usuário digita: números discados, mensagens de texto, URL´s e buscas na web. Esse software, esta presente em aparelhos da marca HTC, BlackBerry, Nokia e Apple, e mesmo com declarações públicas de tais empresas negando o ocorrido, o vídeo do especialista Trevor Eckhart esta na web mostrando sua denúncia na prática para quem quiser ver! Qual o objetivo desse software? Melhorar cada vez mais a experiência do usuário e seus celulares…

E o que falar dos dados capturados pelo Google Street View? E o reconhecimento facial do Facebook e sua ferramenta de geolocalização utilizando seu provedor de internet sem necessidade de GPS? E o software da Yahoo que lê todos os e-mails de seus usuários “por segurança”?

Softwares corporativos de ponta já saem do forno cheios de registros de logs, analise de acesso, de perfil buscando tornar a captura de dados em algo bem mais amplo do que um simples cadastro de clientes. Hoje um software de grife já sai com plataformas de Customer Relationship Management, Business Intelligence e até DataWareHouse embutidos. E tudo conectado em uma grande nuvem, interconectados com trilhões de bytes armazenados em quilômetros de datacenters!

Pouco tempo atrás, os teóricos diziam que a internet era um lugar onde o anonimato prosperaria. Agora, ao que me parece, é o lugar onde o anonimato morreu. Ainda há os “filósofos cibernéticos” que defendem que a inteligência coletiva dos mais de 2 bilhões de usuários da internet e as impressões digitais que todos deixam pela rede podem ser combinadas para melhorar o mundo, uau!!!

Minha opinião afinal? Bem… O Big Data não é apenas coletar dados por si só, e nem é a internet a única fonte de dados! Mas a internet já se tornou a mais rica fonte de dados do Big Data, logo, acredito que não mudaremos nossa realidade de dependência da tecnologia e seus confortos, pelo menos, não espere incentivo! Estou errado, ou não vivemos sem nossos cartões de crédito, sem nossos milhares de cadastros em sites de promoções, compras, milhagem, etc?

Discutir uma campanha para abandonarmos tudo isso seria como discutir quando abandonar os celulares e voltarmos a nos comunicar por sinais de fumaça! Abandonar nossos carros e aderirmos as elegantes carruagens do século 19! Ou quem sabe abandonar nossos e-mails e SMS para voltar a enviar cartas através do nosso eficiente sistema de correios!

Não cabe a mim essa análise! O que posso te dizer, é que provavelmente vou buscar uma forma de ganhar dinheiro com essa avalanche de dados e me especializar para trazer às organizações, dados que possam gerar melhores decisões, e se for possível, tornar o mundo melhor, ou será que não?

Bom 2013!

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8 Resultados

  1. Marcelo disse:

    Assisti sua palestra sobre redes sociais e me interessei por esse assunto do BIG DATA, voce tem mais material?

  2. Joel disse:

    As empresas estao preocupadas em capturar os dados dos usuarios, mas a seguranca ainda nao é prioridade, ou se esqueceram daquele caso dos 100 milhoes de contas do playstation que foram hackeadas? tipo, os caras simplesmente só tiveram acesso aos dados dos cartoes de credito, mas precisavam de algo mais?

  3. Lais disse:

    Bem, concordo com o Erich… Hoje as relações se tornaram bem mais superficiais e ignoramos muitas pessoas conhecidas no chat, e eu também sinto falta de encontrar amigos e ficar conversando horas sobre coisas que passamos juntos. Porém o “mundo” está muito agitado, tudo é muito corrido, muito rápido, não há mais tempo pra nada, e apesar de tudo as redes fornece esse estreitamento, claro que não é a mesma coisa, mas pelo menos há um contato.
    Em relação a Big Data, na minha opinião, ela não é nenhum bicho de sete cabeças… não sei se somente eu faço isso, mas os internautas não devem se expor muito. Sempre tive isso em mente, é bom ter uma rede social? Sim, desde que tudo tenha equilíbrio. Logo, não vejo mal na coletagem de dados desde que eles sejam usados para a melhoria em comum.
    E ao texto Rodrigo, gostei muito, ficou bem exemplificado, uma leitura de fácil compreensão.
    Abraço!

  4. Rodrigo disse:

    Obrigado pessoal! E Lucas, confesso que minha postura é meio dúbia mesmo… Vejo grandes vantagens sim, e imensos perigos também! Mas veja, não há retorno, não existe meio de se libertar, não estamos na matrix esperando que apareça alguem com a pilula azul!

    Podemos sim nos preservar mais Lucas, e podemos sim tirar proveito também, como? também não sei…

  5. Lucas disse:

    eu vejo o big data como uma possibilidade de termos produtos melhores e mais personalizados. Não sou resistente Rodrigo, eu não entendi mesmo, voce é a favor ou contra? ou sou a favor. acho que voce poderia defender mais as vantagens

    se não quer se expor, vai morar na fazenda!

  6. Dorval, meus parabéns pelo post!
    Tenho acompanhado as previsões para o mercado de TI e dentre as apostas está o Big Data, as grande companhias tem investido pesado em P&D nesta área e comprando quem aparece pela frente com soluções para esse problema de gerenciamento de grandes volumes de dados.
    Quem detém informação e consegue transformá-la em conhecimento aplicando ações e tomada de decisão estratégica terá inteligência suficiente para tornar-se competitivo, nós como profissionais que atuam com informação temos o desafio de conduzir nosso clientes para que conquistem essas vantagens… hummm bom desafio para 2013…

  7. Marcelo disse:

    Sobre essa questão da privacidade o facebook melhorou 100%, e não foi a ferramenta, e sim os termos de uso, muito mais protetores do zuckemberg

    usar rede social sem se expor é como participar do carnaval da sapucai aqui do rio de terno e gravata sem chamar atencao

  8. Erich disse:

    Ao postar um comentário no seu blog entrarei para algum tipo de cadastro para melhorar minha experiência com os serviços RDORVAL?

    Hoje fico feliz por manter contato com meus amigos distantes pelo Facebook com muita facilidade, pois Facebook sabe quais os amigos com quem mais gosto de falar e destacam seus posts para mim. Fico feliz em poder descobrir a resposta para qualquer pergunta no oráculo chamado Google.

    Mas ao disponibilizar tantos contatos e tantas informações ao mesmo tempo, a Internet transformou as relações em superficiais tanto com as pessoas quanto com as informações.

    Aprendemos a ignorar pessoas queridas no chat online, ler o primeiro parágrafo de uma página da Wikipedia e acharmos que já sabemos muito sobre determinado assunto.

    Eu me lembro do prazer de encontrar amigos que não via há tempo e do tempo passado conversando sobre o coisas vividas juntas, sobre os mistérios da vida. Lembro-me de abrindo minha enciclopédia Barsa e lendo tudo sobre a invenção do automóvel. Hoje se paro para fazer essas coisas, parece que existe algo dentro de mim que me diz: “Acelere”! Você precisa andar na velocidade da Internet!

    O nosso mundo está se tornando acelerado e os contatos estão se tornando um breve olá pela janela do nosso carro em alta velocidade.

    Como você disse, podemos lucrar muito com isso, e assim comprarmos um carro, quer dizer, um computador e uma conexão com a Internet ainda mais velozes e nos tornarmos ainda mais superficiais.

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