Um novo poder pode abalar a política: As redes sociais! Quem não estiver preparado, vai cair na rede…

dilma-aecio-campos-600x300As redes sociais serão um capítulo a parte (e decisivo) na política nacional nesse ano e daqui para frente, acredite! Nem é preciso ir longe, você viu a repercussão da cassação do ex-prefeito Alcides Bernal nas redes sociais nos últimos sete dias? Em todas as redes sociais (filtrando pela região de Campo Grande é claro) os “debates” e “argumentos” prós e contra colocaram a política da cidade morena no trending topics regional, o que mostra que as redes sociais serão palco propício para políticos, politizados e indiferentes. Os vídeos, denúncias, dossiês e links brotam aos montes na rede, e usuários compartilham tudo que estiver ao alcance para atacar ou defender suas ideias.

Recentemente, me lembro também do embate entre petistas e o governador pernambucano, Eduardo Campos (PSB), em janeiro deste ano, quando um texto publicado na página oficial do PT no Facebook chamou o governador de “tolo”, “playboy” e “mimado”. O estrago foi grande e a reação tão forte no PSB, que ameaçaram fazer oposição sistemática à presidente Dilma Rousseff no Congresso (ou ganharam a desculpa que precisavam…). E claro, o PSDB aproveitou a oportunidade para se solidarizar com Campos e criticar o adversário histórico. Houve polêmica até mesmo dentro do PT.

O político estar presente nas redes é de suma importância, mas deve-se usar a inteligência! Me parece que nem todos os políticos acordaram para o poder das redes sociais. Pesquisa realizada pela agência Medialogue em 2013, sobre a atividade dos 594 congressistas brasileiros na internet e redes sociais, concluiu que 163 deles (27%) estão ausentes do universo digital. A desatenção desses políticos com o meio digital vai contra a tendência dos eleitores usarem cada vez mais as redes sociais e sites para acompanhar os deputados e senadores. Em 2 anos, o número de seguidores de congressistas brasileiros no Twitter e no Facebook saltou de 3,2 para 9 milhões, uma alta incrível de 162%.

A pesquisa “Político 2.0” coletou os dados de setembro a novembro de 2013, e os resultados foram comparados com o levantamento anterior, de 2011. Segundo a Medialogue, hoje cerca de 10% dos usuários de redes sociais seguem pelo menos 1 deputado federal ou senador.

Ainda segundo a pesquisa, nos últimos dois anos ocorreram mudanças na estratégia digital dos políticos: eles passaram a priorizar o Facebook e a desprezar ainda mais a comunicação por e-mail. Em 2011, 77% dos congressistas tinham páginas ativas no Facebook, hoje já são 92%. Já o percentual de políticos que atualizam perfis no Twitter caiu de 70% para 62%.

Caso você pretenda entrar em contato com deputados e senadores por e-mail, esqueça! Em 2011, 77% dos congressistas ignoravam os e-mails recebidos. Hoje a taxa é de 80%. Os políticos, no entanto, parecem ter acordado para a importância de manter cadastros atualizados de quem os acompanha na internet. O percentual de congressistas que usa seus sites para cadastrar eleitores subiu de 61% para 88% no período.

Vou mais longe! Uma pesquisa IBOPE de novembro de 2013 apontou que dentre os participantes das manifestações, 91% tomaram conhecimento delas pela internet, sendo 62% pelo Facebook! Além disso, 75% dos manifestantes convocaram outras pessoas por meio das redes sociais. Ou seja, as redes permitiram que as pessoas saíssem de seu estado passivo, e passassem a ser elementos mobilizadores.

Essa mesma pesquisa IBOPE mostra que 89% dos manifestantes afirmaram ter muito interesse na política, e pasmem: 83% não se sentem representados por qualquer político! O que garante aos políticos um amplo “campo de trabalho” a ser desbravado, mas com inteligência, volto a dizer… E quem não sabe lidar com tudo isso tem problemas, não é à toa que o presidente venezuelano Nicolás Maduro mandou bloquear as redes sociais por lá, para conter a tensão e mobilização de protestos na Venezuela.

Não saber lidar com a oposição e crítica na rede é um grande erro do político, e pode mostrar seu despreparo para os desafios do relacionamento digital. As redes sociais permitem o contato direto, e é necessário entender as interações negativas do internauta, e não levá-las a esfera pessoal, pois essas críticas muitas vezes são originadas na “generalização da desonestidade política” vigente na mente (e política) brasileira. Entendamos que o político no Brasil não é bem visto de uma forma geral (e o brasileiro tem dificuldades para encontrar excessões em meio a regra), segundo, que na visão geral do povo, o político é a extensão do patrimônio público e do serviço público, e criticar um político, é criticar o governo e suas conhecidas mazelas que oprimem. Para entender as interações, é preciso entender que o político nas redes sociais é uma entidade pública, e não mais um “ser humano” ou um simples perfil!

Um dos grandes especialistas no Brasil, Pedro Waengertner, coordenador do núcleo de estudos e negócios em Marketing Digital da ESPM, afirma que “além de saber quais são as exigências da lei, importa o bom senso. Nas redes, o objetivo do político é estabelecer uma relação próxima, quase pessoal com seus eleitores, de duas mãos. A maioria dos políticos tem a mentalidade de falar para os eleitores e não com os leitores”.

Uma unanimidade nas dicas de especialistas é usar o tom pessoal na administração das redes, usando como medida a personalidade do político e o perfil do seu eleitorado. Outra dica é ter cuidado com perfis nas mãos de assessores despreparados, porque se os seguidores perceberem que estão conversando com assessores, a evasão pode ser certa, além de outros problemas. Isso fica ainda pior no caso de respostas à posts de internautas, onde nem sempre o silenciar é sabedoria, e nem sempre responder é dar satisfação!

O político que não tem conhecimento de redes sociais ou marketing digital, só consegue enxergar pela ótica da audiência, como por exemplo quantas “curtidas” ele tem, ou quantos seguidores. Um político esperto ou bem assessorado, começa a se importar mais com o engajamento. O resultado não se mede pelo número de pessoas que o seguem, mas sim, pelo interesse que ele gera em seus seguidores, e a participação dos integrantes da rede social na função de propagadores da mensagem de campanha. O foco deve ser a criação de uma militância digital capaz de expandir o público impactado pelas mensagens enviadas e defender a proposta do político.

O ano de 2014 promete muita estratégia digital por parte dos políticos (nem sempre profissional), e muito debate por parte do povo! A rede clama pela personificação dos discursos, e respeito pelo “DNA” das redes. Acredito eu, que no final das contas, quem ganha é o eleitor, que agora pode ter inúmeras fontes de informação, e compartilhar com seus amigos suas dúvidas e argumentos, além de averiguar verdades e mentiras. Mas um conselho: Defenda seu pensamento de forma democrática e responsável, mas nunca perca seus amigos para a política!

Sempre se discutiu política, e isso é saudável! Mas a diferença, é que agora sua opinião pode ser ouvida, ou melhor, vista por muitos! Cuidado políticos, a rede está de olho em vocês…

Até a próxima!

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